Quem são os catequistas mártires do Guiúa?

São 23 moçambicanos, homens, mulheres e crianças, que foram mortos quando se encontravam no Centro Catequético do Guiúa, na Diocese de Inhambane, para participarem num curso de formação de longa duração para famílias de catequistas.

Foi no dia 22 de Março de 1992 que foram mortos. Decorriam os últimos meses de uma guerra fratricida que devastava Moçambique. Esboçavam-se os primeiros sinais da vontade de reconciliação nacional. O país tentava emergir de um longo período de conflito, de trevas e provações. Confiante de que as conversações em curso em Roma para alcançar a paz iriam pôr fim à guerra, a diocese de Inhambane decidiu reabrir o Centro Catequético do Guiúa para a formação de famílias de catequistas.

Luísa Mafo nasceu em Moduça, Distrito de Massinga em 1943

Filha de Mabalane e Favasse. Seus avós paternos eram Chindane e Mbanda e os avós maternos eram Chaca e Mavumazongue. Foi baptizada aos 14 anos na capela de Vinhane, Paróquia do Imaculado Coração de Maria de Massinga, no dia 8 de Dezembro de 1957. Foi sua madrinha de baptismo a senhora Amélia Nhiane. Aos 16 anos foi crismada por D. Custódio Alvim Pereira, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Lourenço Marques (Maputo), no dia 24 de Setembro de 1959.
Aos 17 anos contraiu matrimónio religioso com Adolfo Raul Nombora, na comunidade de Keme, Massinga, no dia 18 de Junho de 1960. Do casamento nasceram 10 filhos. Luisa era humilde, muito simples. Foi mãe educadora nos bons costumes, na fé cristã e no zelo apostólico. Juntamente com o seu marido, Adolfo Raul, em 1977, frequentou o primeiro curso anual de formação de catequistas no Centro Catequético da Missão de Mangonha (Massinga). Foi catequista dedicada na sua comunidade de Kofi e membro da comissão paroquial de Leigos e Famílias. Mulher forte na oração, acompanhava assiduamente os membros da sua comunidade nos momentos de maior sofrimento, procurando proporcionar-lhes a consolação do Evangelho e apontando-lhes o caminho de Deus.
Uma testemunha disse dela: “Luísa cuidava especialmente dos pobres e dos doentes e reunia as famílias para rezarem nas várias circunstâncias da vida”. Era uma mulher acometida de muitas premonições, a quem o poder da oração parecia conferir a graça da cura. Há o testemunho de uma criança doente que, em perigo de vida, recebeu o baptismo. Luísa rezou por ela e revelou que tivera numa visão em que lhe foi comunicado que a criança “pertencia ao Senhor”. A criança, salvou-se e acabou por se consagrar à vida religiosa.
Antes de partir para o curso de formação de catequistas no Guiúa a comunidade organizou uma festa de despedida. Luísa comunicou que tivera um sonho em que pressentiu que não regressaria a casa. Afirmou que se sentia impelida a partir e, por isso, pediu as orações de todos, despedindo-se com o pressentimento muito forte de que não regressaria. Na noite do assalto ao Centro Catequético do Guiúa, no dia 22 de Março de 1992, Luísa foi raptada e morta a golpes de baioneta. Juntamente com ela pereceram o seu filho Arnaldo Adolfo e o neto Zito Adolfo.