Quem são os catequistas mártires do Guiúa?

São 23 moçambicanos, homens, mulheres e crianças, que foram mortos quando se encontravam no Centro Catequético do Guiúa, na Diocese de Inhambane, para participarem num curso de formação de longa duração para famílias de catequistas.

Foi no dia 22 de Março de 1992 que foram mortos. Decorriam os últimos meses de uma guerra fratricida que devastava Moçambique. Esboçavam-se os primeiros sinais da vontade de reconciliação nacional. O país tentava emergir de um longo período de conflito, de trevas e provações. Confiante de que as conversações em curso em Roma para alcançar a paz iriam pôr fim à guerra, a diocese de Inhambane decidiu reabrir o Centro Catequético do Guiúa para a formação de famílias de catequistas.

Deolinda Guingave nasceu em 1954 em Matá, distrito de Morrumbene, filha de Samuel Sevene e de Julieta Alberto

Foi baptizada em 21 de Dezembro de 1962, na missão Santa Maria de Mocodoene.
Em 9 de Junho de 1990, casou com Fernando Sevene Matsinhe na capela de São Paulo de Matadouro, paróquia da Maxixe, onde o marido era animador da comunidade. O casamento foi abençoado pelo Frei António Afonso, Pároco da Maxixe. Foram testemunhas do matrimónio Albino Valentim e Amélia André. Aí permaneceram no tempo da guerra. Com uma participação muito activa na comunidade, fazia encontros com as mulheres, rezando e promovendo a visita aos doentes. Lia-lhes a Bíblia, ajudava na limpeza, na alimentação e no vestuário.Em 1989, o catequista Fernando Sevene e a sua família foram raptados, mas nem isso os demoveu de participarem no curso de formação de catequistas. Deolinda chega ao Centro Catequético do Guiúa juntamente com o seu marido e três dos seus filhos no início de Março de 1992. Na noite do ataque ao Centro, o seu marido escapou, provavelmente devido a um problema motor que o fazia coxear e impedia de carregar as cargas pilhadas que os raptores impunham aos sequestrados. Deolinda foi raptada e morta à baioneta juntamente com a sua filha Gina no dia 22 de Março de 1992. Dois filhos gémeos escaparam com vida e regressaram após quatro meses de cativeiro.